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20 | MAIO | 2012
  • Postado em:07/09/2011

    Coca-cola estreia nas gôndolas garrafa PET reciclada

     

    Objetivo da multinacional americana é até 2020 ter 100% dos produtos de seu portfólio embalados com garrafas PET feitas com no mínimo 20% de materiais reciclados

    A garrafa reciclada que chega hoje às cidades do interior de São Paulo e a Curitiba, no Paraná

    Inspirado no caso de sucesso da reciclagem de alumínio no país, o mercado de garrafas PET no Brasil deve mudar muito nos próximos anos. Nesta terça-feira (06/09), a Coca-Cola estreia nas gôndolas a primeira garrafa feita com PET reciclado para a embalagem de gêneros alimentícios. O objetivo da companhia é até 2020 ter 100% dos produtos de seu portfólio embalados com garrafas PET feitas com no mínimo 20% de materiais reciclados. 



    Batizada de bottle-to-bottle, a garrafa que chega hoje ao mercado foi aprovada recentemente pela Anvisa. Antes, nenhum alimento ou bebida tinha a autorização para ser comercializado em embalagens de PET reciclado. Feita com 20% de resina reciclada e 80% de resina PET virgem, a bottle-to-bottle poderá ser produzida no país com até 50% de material reciclável num futuro próximo. Estudos indicam que a garrafa produzida com 20% de resina reciclada permite uma redução de cerca de 10% na pegada de carbono na comparação com uma garrafa PET feita de resina virgem.

    Com a adoção das garrafas recicladas, a Coca-Cola acredita que ajudará a impulsionar a cadeia brasileira de reciclagem de PET. “Tenho um amigo estrangeiro que brinca que o Brasil desafia a lei da gravidade. Aqui, você joga uma latinha para o alto e de algum lugar surge alguém para catá-la”, brinca Marco Simões, vice-presidente de Sustentabilidade da Coca-Cola Brasil. A ideia é que daqui alguns anos a anedota possa valer também para as garrafas PET. Mas o caminho a ser percorrido não será fácil. 



    Obstáculo


    Caso de sucesso internacional, as latinhas têm um bom motivo para serem tão desejadas pelos catadores. Elas compensam financeiramente. Enquanto no Sul do país paga-se cerca de R$ 1,60 por quilo de garrafa PET, pelas latinhas os catadores recebem R$ 3, praticamente o dobro. “Temos que criar uma demanda sustentável. Assim como o alumínio tem valor para a indústria, a PET também pode ter”, diz Simões. 



    Os planos para a expansão do uso da bottle-to-bottle esbarram na falta de oferta de resina reciclada no Brasil. A nova garrafa será comercializada inicialmente apenas para a Coca-Cola de 2,5 litros, em parte do interior de São Paulo e Curitiba, totalizando 1,5 milhão de garrafas por mês, produzidas pela fabricante Spaipa. “Hoje, falta-nos coleta”, diz Rino Abbondi, vice-presidente de Técnica e Logística da Coca-Cola Brasil. 

O Brasil é destaque mundial no segmento, sendo o segundo país do mundo com o maior índice de reciclagem de PET, em torno de 55,6%, perdendo somente para o Japão. A estimativa da Coca-Cola é que até 2014 esse índice suba para 70%, chegando a 85% em 2020. Apesar dos bons números, por volta de 60% da PET reciclada produzida no país atualmente é utilizada pela indústria têxtil. 



    A ampliação do programa ocorrerá aos poucos, conforme cresça a oferta de resina reciclada no mercado brasileiro. O próximo passo será levar as garrafas para o estado do Rio de Janeiro, o que deve ocorrer ainda em dezembro deste ano. No primeiro semestre de 2012, a embalagem reciclada de 2,5 litros da Coca-Cola deve chegar a toda região Sul e à capital paulista. No entanto, ainda há estudos sobre a possibilidade de o PET reciclado fazer sua estreia na cidade de São Paulo com outro refrigerante da empresa. 



    Com o início da produção da bottle-to-bottle, serão economizadas cinco mil toneladas da garrafa PET virgem ainda em 2011. Para 2014, a Coca-Cola prevê uma economia de 60 mil toneladas por ano, o equivalente a quase 40% da produção atual, de cerca de 160 mil toneladas por ano. 



    A expansão massiva da nova embalagem deve ocorrer mesmo só daqui a dois anos, quando mais fornecedores de resina reciclada estiverem atuando no Brasil. “Estamos na fase final de negociação para trazer uma nova companhia ao país. Hoje, nosso único fornecedor é a CPR”, diz Abbondi. A empresa em negociação com a Coca-Cola não deverá ser a única do gênero a abrir unidades no Brasil. Segundo o executivo, a estimativa é que outras três ou quatro companhias apostem no setor no país nos próximos cinco anos. 


    “A bottle-to-bottle é um passo na direção certa. Nós vivemos numa sociedade insustentável. Não teremos, a não ser talvez no longo prazo, um produto ou uma empresa inteiramente sustentáveis, porém, cada gesto tem uma enorme importância. Hoje, existe um grande desafio em conscientizar o consumidor. Ele precisa perceber o poder que tem ao comprar, usar e descartar produtos e serviços”, afirma Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu, presente no evento de lançamento da nova garrafa. Será que o consumidor vai querer desafiar a gravidade também com as garrafas PET?


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